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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ministro abre debate sobre base curricular com a área científica

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, reuniu-se nesta segunda-feira, 11, em São Paulo, com entidades científicas para debater a elaboração da base nacional curricular comum. “É uma reunião para debater assunto específico, uma das pautas mais importantes porque foi determinada pelo Plano Nacional de Educação”, disse o ministro. “É uma decisão de somar esforços na educação básica.”

O encontro com integrantes das entidades científicas foi promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), como parte de reunião de trabalho com a Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação para a construção da base comum, prevista na Lei n° 13.005, de 25 de junho de 2014, a Lei do PNE.
De acordo com Janine Ribeiro, o plano é claro ao determinar a instituição da base nacional curricular comum. Segundo ele, a adoção dessa base não é obrigatória, mas importante. “A proposta trará a noção de conhecimento que cada área considere essencial” afirmou. “É importante também para organizar melhor o trabalho dos professores e fazer uma ligação entre o que se ensina em um país continental como o nosso.”
Presente ao encontro, o secretário de educação básica do Ministério da Educação, Manuel Palacios, explicou que o MEC pretende promover reuniões com representantes de estados e municípios para produzir a versão preliminar do documento. Como estabelece o PNE, a base nacional curricular comum deve estar concluída até junho de 2016. “A intenção é terminar essa primeira proposta até julho, e temos de abrir debates com entidades científicas, universidades, professores e todos os atores desse processo”, disse Palacios. “Queremos um debate nacional para produzir um pacto federativo o mais avançado possível.”
A reunião conta com a participação das professoras Maria Eunice Marcondes, da Universidade de São Paulo (USP), e Edênia Ribeiro do Amaral, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Elas falarão sobre os princípios gerais para a área de ciências da natureza na construção da base nacional curricular. Os princípios gerais para a área de matemática serão abordados pelo professor Marcelo Câmara, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os debates têm a coordenação do professor Ítalo Dutra, da Diretoria de Currículos e Educação Integral da SEB.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Alfabetização: qual o melhor método?

Para o neurocientista português José Morais, professor da Universidade Livre de Bruxelas e doutor em Desenvolvimento da Cognição e Psicolinguística, não é possível afirmar qual é a melhor forma de se aprender a ler e a escrever.




Fonte: Revista Profissão Mestre
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/1186-alfabetizacao-qual-o-melhor-metodo

Nesta entrevista concedida à Ilona Becskeházy, consultora da área de educação, colunista da Gestão Educacional e comentarista do boletim Missão Aluno, da rádio CBN, Morais aborda as linhas gerais do processo de aprendizagem que decorrem dos atuais conhecimentos científicos e avalia questões práticas de alfabetização, como a importância de se ler para crianças pequenas e as características que diferenciam os métodos fônico e construtivista de alfabetização. Para o especialista português, não há idade certa, do ponto de vista cognitivo, para se alfabetizar uma criança. Porém, ele critica a definição, por parte do governo brasileiro, de alfabetização aos 8 anos: “para a maioria das crianças, pôr a meta da alfabetização aos 8 anos é ou um grande erro ou um grande crime e, de qualquer modo, nega [à criança] um de seus direitos fundamentais”. Morais esteve no Brasil em agosto de 2014 para participar do VII Seminário Internacional, promovido pelo Instituto Alfa e Beto (IAB), em Belo Horizonte (MG). Confira a seguir a entrevista com o educador.
Profissão Mestre: Qual a melhor forma de se aprender a ler e a escrever?
José Morais: Não é possível responder a essa pergunta de maneira detalhada. O que posso enunciar são as linhas gerais do processo de aprendizagem que decorrem dos atuais conhecimentos científicos. Nossos alunos aprendem a ler e a escrever no sistema alfabético de escrita. Ora, os caracteres do alfabeto, separadamente ou em pequenas combinações, representam os fonemas da língua. Os fonemas não são sons – ao contrário do que muitas pessoas pensam –, mas sim unidades fonológicas abstratas. Por exemplo, as sílabas “bi” e “bu” são sons e cada um deles resulta da coarticulação de dois fonemas, de tal modo que o começo do som, influenciado tanto pela consoante quanto pela vogal, é diferente nas duas sílabas. Dito de outro modo, não há segmento acústico que corresponda à consoante “b”. A criança tem de abstrair o fonema por meio de sua correspondência com o grafema (geralmente começa-se por grafemas simples, isto é, constituídos por uma só letra). A tomada de consciência da fala como uma sequência de fonemas faz-se por meio do confronto com a escrita alfabética em atividades apropriadas, propostas pelo professor ao aluno. Depois disso, há uma longa fase – cerca de um ano – de aprendizagem da decodificação (na leitura) e de codificação (na escrita), em que é necessário levar em consideração as regras do código ortográfico da língua, em nosso caso, do português. A prática da leitura e da escrita, acompanhada pelo professor, é necessária para tornar esses processos, que já permitem uma leitura e uma escrita autônomas, cada vez mais eficientes em precisão e rapidez. O sucesso encontrado na aplicação desses processos conduz, pouco a pouco, à constituição de um léxico mental ortográfico, isto é, a um conjunto de representações memorizadas das palavras conhecidas. São essas representações que serão utilizadas de maneira automática na leitura e na escrita. Enquanto, por exemplo, na leitura, a decodificação se faz de maneira intencional e sequencial da esquerda para a direita, na leitura automática a representação das letras da palavra é acessada em paralelo.
Profissão Mestre: Por que ler em voz alta para bebês e crianças pequenas ajuda no processo de alfabetização antes mesmo deste ser iniciado formalmente?
Morais: Por várias razões. Se interagirmos de maneira apropriada com a criança, mostrarmos o que se está lendo, interrogá-la e solicitarmos suas reações, a criança vai compreender que a escrita representa a língua oral, vai tomar conhecimento de características importantes das palavras escritas e dos textos, vai adquirir novas palavras, e vai enfim, assimilar formas gramaticais que não são correntes durante a comunicação oral e aprender a extrair sentido desses enunciados. Além desses aspectos essencialmente cognitivos, há aspectos afetivos, motivacionais e de interação social (na “leitura partilhada” feita e dirigida pelos pais, essa interação envolve seus seres mais queridos) que também são muito importantes para que a criança valorize a leitura e os livros.
Profissão Mestre: Qual a importância do vocabulário no processo de alfabetização? O conhecimento prévio (oral) de palavras, mesmo que erradas, ajuda ou atrapalha na hora de alfabetizar?
Morais: Ajuda, com certeza. Mas convém que o conhecimento das palavras não seja errado. Dou-lhe um exemplo de tentativa de leitura (por decodificação) de uma criança francesa. Em um texto de receita de cozinha proposto em aula, havia a palavra lard, que corresponde a presunto. Ela a decodificou lentamente, mas seguramente até o “d”, que pronunciou. Só que, em francês, o “d” final, em geral, não se pronuncia. Ela deu-se conta de que sua leitura estava errada porque conhecia essa palavra e corrigiu sua própria leitura e disse lar. Seu conhecimento do vocabulário serviu-lhe, portanto, para aprender a ler corretamente essa palavra, e é provável que, com mais experiências, isso tenha contribuído para ela adquirir a regra geral de não ler o d final. Posso acrescentar que a fluência é melhor em leitura oral de listas aleatórias de palavras do que em leitura oral de pseudopalavras (isto é, formadas segundo as regras de constituição das palavras, mas que não existem em nosso léxico porque este não esgota todas as combinações legais). Isso é verdade tanto para a criança que aprende a ler como para o adulto leitor hábil.
Profissão Mestre: Qual sua opinião sobre a escolha do governo brasileiro em estabelecer 8 anos de idade como “idade certa” para alfabetizar?
Morais: Não há idade certa do ponto de vista cognitivo. A “idade certa” de 8 anos como meta da alfabetização elementar nas escolas públicas é a idade certa para reproduzir as diferenças sociais, porque filho de pobre ou remediado que vai para a escola pública vai ter (pelo menos) dois anos de atraso em relação ao filho de rico ou de intelectual que vai para colégio particular e estará alfabetizado aos 6 anos. “Idade certa” é uma expressão que só tem sentido ao se precisar para quê e para quem, sendo, no entanto, certo que, para a maioria das crianças, pôr a meta da alfabetização aos 8 anos é ou um grande erro ou um grande crime e, de qualquer modo, nega [à criança] um dos seus direitos fundamentais.
Profissão Mestre: Qual a diferença entre alfabetização e literacia?
Morais: Como literacia é uma qualidade e alfabetização um processo, deixe-me distinguir entre alfabetismo e literacia. Em primeiro lugar, literacia é mais vasto que alfabetismo, porque se pode ser letrado sem ser alfabetizado. Isso acontece em muitos países do mundo em que só se aprendeu a ler em um sistema de escrita que não é o alfabeto. Em segundo lugar, literacia refere-se em geral a um nível mais aprofundado da habilidade de ler e escrever em um sistema alfabético e de uso produtivo dessa habilidade.
Profissão Mestre: Resumidamente, quais as características que diferenciam os métodos fônico e construtivista de alfabetização?
Morais: O método construtivista (seus defensores falam de uma filosofia) parte do postulado de que se pode aprender a ler naturalmente, como se a escrita fosse uma língua. Já o método fônico reconhece a escrita como uma representação da linguagem oral e, por isso, propõe um ensino sistematizado. O método construtivista pretende partir do sentido das palavras escritas, enquanto o método fônico parte da constatação de que, se não se dispõe de um mecanismo que permita identificar todas as palavras escritas e não só algumas dezenas ou mesmo centenas, não é possível atingir o sentido delas nem ler palavras que se encontrem pela primeira vez. Contrariamente ao método fônico, o método construtivista não reconhece o fato de o alfabeto ser um código, de ele permitir a codificação (na escrita) dos fonemas, unidades abstratas constituintes da fala, e, por conseguinte, também sua decodificação (na leitura), assim como não reconhece a necessidade de ensinar e de insistir na prática intensa desses mecanismos pelo aluno. O problema principal está no fato de que o construtivismo, tal como é aplicado às questões da leitura e da escrita, resulta de uma crença e ignora totalmente os avanços da ciência; quando se lê os textos construtivistas, tem-se a impressão de que a ciência da leitura não existe.
Profissão Mestre: Por que os construtivistas “acusam” os adeptos do método fônico de não permitirem que os alunos deem sentido às palavras que aprendem?
Morais: É uma estranha acusação, porque os adeptos do método fônico nunca defenderam isso. É importante os alunos entenderem o sentido das palavras que aprendem. Não de lhes “dar” sentido, claro, visto que as palavras têm o sentido que resulta da história e do uso da língua, mas de entender corretamente o sentido delas e de aprender a utilizá-las com o sentido que têm. Obviamente, isso não impede a extensão criadora de sentido, desde que se tenha consciência de que se vai além do sentido usual.
Profissão Mestre: Há diferença no processo cognitivo mobilizado na alfabetização de crianças e na de adultos?
Morais: Não sabemos ainda com exatidão. A diferença não deve ser grande, porque é possível alfabetizar adultos até de idade já avançada. É difícil comparar porque as relações sociais, as motivações e o padrão de aquisições cognitivas de cada indivíduo são muito diferentes. Também o processo de alfabetização se faz em condições muito diferentes nos dois casos. Pode acontecer que o adulto recorra mais, ou durante mais tempo que a criança, a processos de atenção sequencial na leitura das palavras, mas é muito difícil verificar isso sem um estudo experimental que seria exageradamente longo e oneroso e que se justificaria mais por razões teóricas que práticas.
Profissão Mestre: É possível (e recomendável) aprender a ler e a escrever em mais de um idioma ao mesmo tempo?
Morais: Não diria exatamente ao mesmo tempo, mas não vejo problema que isso aconteça quase simultaneamente, desde que seja em momentos separados, visto que os códigos ortográficos nunca são completamente os mesmos. Isso acontece em países bilíngues e não tem suscitado problemas.

terça-feira, 3 de março de 2015

Indisciplina é um dos principais problemas em escolas, diz pesquisa

Levantamento da Fundação Lemann ouviu mil profissionais do Ensino Fundamental em todo o país



Fonte: Fantástico

Você sabia que a indisciplina dos alunos é um dos principais problemas que os professores enfrentam em sala de aula? Mais até que os baixos salários? Quem diz isso são os próprios professores, em uma pesquisa inédita com profissionais da rede pública de todo o país.
Uma longa jornada. O Fantástico vai acompanhar o dia da professora de ciências Simone Medeiros, no Rio de Janeiro. Às 6h30 da manhã, ela sai de casa, na Penha, Zona Norte da cidade, para a primeira aula, em uma escola de ensino fundamental, no bairro vizinho de Ramos.
No intervalo, às 9h30, planejamento para as aulas seguintes. O almoço, ao meio-dia, é rápido, na cantina, com os colegas. Às 13, começa o segundo turno.
Às 17h50, o dia de Simone ainda não acabou. Ela vai para uma outra escola, onde vai dar aula no turno da noite. “Estou bastante cansada”, confessa Simone.
A rotina de Simone ajuda a entender os resultados de uma pesquisa inédita sobre o trabalho dos professores da rede pública. O levantamento da Fundação Lemann ouviu mil profissionais do ensino fundamental em todo o país. E revelou o que os nossos mestres consideram como os maiores problemas para melhorar a educação.
Para Simone, a carga horária exaustiva é só uma das dificuldades.“Você tem que largar um pouco o conteúdo para você trabalhar outras questões. Questões afetivas, questões de família, a questão da violência. Você está, às vezes, trabalhando em um ambiente que você está ouvindo tiro”, conta Simone.
A falta de acompanhamento psicológico para os estudantes é apontada como o problema que precisa ser resolvido de forma mais urgente. Em uma noite, a aula da Simone acabou mais cedo porque havia um tiroteio perto da escola.
“É frustrante, né? A gente diminui muito o que a gente ia trabalhar com eles”, diz Simone.
Um dos maiores desafios dos professores é compreender e lidar com a realidade que os alunos enfrentam do lado de fora da escola. Os conflitos e os dramas das comunidades em que eles vivem cruzam os portões e chegam dentro das salas de aula das escolas brasileiras.
“Lógico que saber o conhecimento, saber o conteúdo para passar ele de forma correta, é fundamental. Mas não é só isso. É muito mais. Na hora que a gente chega na sala de aula a gente percebe. A gente não está preparado para esse muito mais”, explica a professora de matemática Rosania Silva.
Rosania tem 12 anos de profissão. Dá aulas de matemática para cinco turmas, em uma escola no bairro Jardim Itapura, Zona Sul de São Paulo.
Ela convive diariamente com o segundo maior problema apontado pelos professores na pesquisa.“Uma das maiores dificuldades que a gente encontra hoje na sala de aula é a indisciplina. De diferentes maneiras que ela pode se manifestar. Para o meio que o aluno vive, não considerando só o ambiente da escola, mas fora dela, aquilo é comum. A gente leva tempo, acaba atrapalhando a aula”, conclui Rosania.
“Quando a gente faz a formação de professores no Brasil, a gente não forma ele para sala de aula. A gente não prepara esse professor para lidar com a indisciplina. Então ele tem que descobrir tudo isso na hora em que está lá, dentro da sala de aula, com 30, 35, 40 alunos, sem preparo”, avalia Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.
Thioni Carreti tem 26 anos. É professora de ciências há três, em uma escola em Cidade Leonor, também na Zona Sul de São Paulo. E já descobriu que na sala de aula precisa ser mais do que professora.
Thioni Carreti: Quando eu entrei na escola, eu não esperava que eu teria tantos problemas com relação à convivência dos alunos em sala.
Fantástico: Então, você tem que atuar, às vezes, como um conciliadora dentro de sala de aula?
Thioni Carreti: Sim. Uma mediadora de conflitos.
Fantásitco: Isso é muito difícil?
Thioni Carreti: É difícil porque nem sempre você está preparado psicologicamente para lidar com isso.
A diretora da escola onde Thioni trabalha recebe o mesmo retorno de toda a equipe.“A nossa preocupação é: se eu melhoro as minhas condições dentro da escola e abraço e acolho essas crianças aqui, para que eles se sintam pertencentes dessa sociedade na qual eles estão vivendo, essa criança vai melhorar seu aprendizado”, explica a diretora Sarah Correa da Silva.
Mas, essa tarefa não é fácil. Isso porque o atraso dos alunos para aprender o conteúdo, para os professores, é o terceiro problema que precisa ser enfrentado. Na sequência, vem a aprovação de estudantes que ainda não estão preparados para o próximo ciclo. E, em quinto lugar, os baixos salários.
“O debate sobre professor está tão distorcido, a gente só fala do salário, das más condições de trabalho... Mas, o que motiva esse professor a ser professor? Ele quer garantir que seus alunos aprendam”, avalia Mizne.
Na pesquisa, 72% dos professores afirmaram que a contribuição para o aprendizado dos alunos é o que mais traz satisfação. E 65% se disseram satisfeitos com a responsabilidade social do trabalho que fazem.
Na segunda-feira, a Thioni, a Rosânia, a Simone e milhares de professores começam mais uma semana para cumprir a missão de educar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Estudantes não veem tecnologia como parte do aprendizado

Jovens não mobilizam as novas tecnologias para construírem relações com os saberes escolares, em grande parte utilizam seus celulares para se ausentarem daquele mundo


Fonte: Último Segundo - IG




Alunos de classes populares ainda não veem a presença de aparelhos tecnológicos em sala de aula como parte do processo de aprendizagem. Principalmente em escolas públicas, estudantes manuseiam aparelhos celulares sem a orientação ou intervenção de seus professores, apesar da proibição de sua utilização por lei.
É o que mostra pesquisa de mestrado de André Toreli Salatino, na Faculdade da Educação (FE) da USP. O pesquisador acompanhou regularmente dezenas de estudantes de uma escola pública. A ideia do trabalho foi compreender as tensões que conformam a experiência escolar contemporânea, a forma como os jovens vivenciam mundos culturais e tecnológicos distantes entre si.
Segundo o estudo, é do professor a responsabilidade de tentar criar situações de aprendizagem que incluam a utilização dos diversos aparelhos tecnológicos, já que as tecnologias não fazem nada por si mesmas. Esses jovens não mobilizam as novas tecnologias para construírem relações com os saberes escolares, em grande parte utilizam seus celulares para se ausentarem daquele mundo.
Com foco no processo de aprendizagem, cabe ao professor avaliar, em sua realidade concreta, se a implementação dos aparelhos tecnológicos contribuem para que os alunos criem uma relação com o conteúdo de sua disciplina.
Durante um ano letivo, Salatino observou três turmas do ensino médio de um colégio da periferia da cidade de São Paulo, na zona leste. O acompanhamento não se deu apenas em sala de aula, mas também em outros espaços escolares, como o pátio em horário de intervalo entre as aulas e períodos de entrada e saída. Esses espaços se mostraram interessantes por também participarem do mundo de exibição produzido com esses aparelhos tecnológicos, em meio à experiência escolar desses jovens.

Metodologia

A metodologia do trabalho teve inspiração da etnografia, método utilizado pela antropologia na coleta de dados. O pesquisador tentou compreender essa cultura escolar específica a partir do significado construído pelos jovens em sua relação com celulares e aparelhos eletrônicos em geral e com a escola dos dias atuais. Essa análise se deu por intermédio de um trabalho de campo prolongado com jovens de classes populares.
Foram aplicados questionários fechados a todos os alunos presentes nas turmas, cujas respostas foram comparadas com dados estatísticos publicados por diferentes institutos internacionais que tinham por objeto a relação dos jovens com a tecnologia. Para amenizar a distância entre “aquilo que somos” e “aquilo que dizemos que somos”, buscou-se refletir sobre o que as ações desses alunos têm a dizer sobre a sociedade em que estão inseridos.

Resultado

Por mais que a cooperação entre docente e tecnologia para auxiliar no progresso do ensino seja importante, não se pode deixar iludir. Em determinadas situações, será difícil introduzir recursos tecnológicos, mesmo porque a cultura brasileira não tem a aprendizagem como valor. Grande parte dos estudantes de classes populares não compreende o ensino em instituições escolares como meio de ascensão social. Muitos, aliás, observam a promessa da escola como ilusão, pela própria experiência com pessoas que concluíram o ensino médio e mesmo assim não galgaram condições financeiras melhores.
De acordo com Salatino, não significa, porém, que a proibição de telefones celulares em sala de aula seja o suficiente. Durante o percurso escolar esses alunos distraem-se com ou sem a presença de recursos tecnológicos, embora os aparelhos tecnológicos levem essa dispersão para outra escala. “Temos que considerar que a proibição não retirou os aparelhos da escola”, lembra o pesquisador, “pois a dinâmica de leis no Brasil é abstrata, constituída de cima para baixo e despreocupada com sua implementação prática”.

Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Falta de escrever à mão "pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças"

Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças.




Leia a notícia completa em

Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Situação atual dos professores no Brasil | JN | Fev.2015

Na primeira semana do mês de fevereiro de 2015, o Jornal Nacional veiculou uma série de reportagens sobe a atual situação dos professores no Brasil. 

Os vídeos contaram com a participação de professores e especialistas em educação de todos o país.




Confiram abaixo os títulos e os links para acesso à série de reportagens:

1) Aumenta o número de professores que abandonam as salas de aula
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/02/aumenta-o-numero-de-professores-que-abandonam-salas-de-aula.html

2) Alunos enfrentam falta de preparo de professores em sala de aula
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/02/alunos-enfrentam-falta-de-preparo-de-professores-em-sala-de-aula.html

3) Professores têm o desafio de tornar aulas mais atraentes para os alunos
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/02/professores-tem-o-desafio-de-tornar-aulas-mais-atraentes-para-os-alunos.html

4) Estágio em sala de aula é fundamental para quem quer ser professor
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/02/estagio-em-sala-de-aula-e-fundamental-para-quem-quer-ser-professor.html

5) Professores mostram o que pode ser feito para melhorar a educação
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/02/professores-mostram-o-que-pode-ser-feito-para-melhorar-educacao.html



Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Um em cada dez municípios brasileiros atingiu a meta de ensino adequado em matemática

Veja o vídeo produzido pela TV Brasil




Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Alunos de escolas públicas chegam ao ensino médio sem saber o que deveriam

Fontehttp://www.cearaagora.com.br/site/2015/02/alunos-brasileiros-chegam-ao-ensino-medio-sem-saber-o-que-deveriam/

Segundo o estudo, apenas 10,8% dos municípios têm alunos com o aprendizado adequado ao que se espera no 9º ano em matemática


O levantamento divulgado nesta quinta-feira (12) pelo movimento Todos Pela Educação (TPE), com base no desempenho dos alunos no 5º e 9º anos do ensino fundamental, aponta que as escolas públicas brasileiras não têm conseguido fazer com que seus alunos absorvam o conhecimento adequado às séries que estão cursando.
A maior parte dos alunos que chegam ao 9° ano do ensino fundamental não está conseguindo compreender textos narrativos longos com vocabulários complexos e não conseguem consegue resolver problemas matemáticos ou usar porcentagens e medidas padronizadas (como km e kg). A adequação sobre o que eles aprenderam para o que deveriam ter aprendido não tem evoluído conforme o esperado; em alguns casos, estagnou ou mesmo recuou. O quadro estadual é pior quando avalia-se o 9º ano do ensino fundamental: em matemática, o maior índice de avanço na adequação é observado no Ceará, mas ele é de apenas 28,3%.
Ainda segundo o estudo, apenas 10,8% dos municípios têm alunos com o aprendizado adequado ao que se espera no 9º ano (contra 28% em 2011) em matemática. Em português, esse percentual é de 30% (contra 55% em 2011). “A adequação não é necessariamente decrescente, porque estabelecemos metas mais ambiciosas para os municípios. Alguns podem ter melhorado (a qualidade do ensino), mas não atingiram essas metas”, diz à BBC Brasil Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do TPE. “A conclusão é que o aprendizado simplesmente não está melhorando como o desejado.”
As indicações apontam que a deficiência em português em matemática se estende também às demais disciplinas ensinadas nas escolas, apesar de isso não ter sido mensurado. O estudante acaba carregando falhas de aprendizado para os anos seguintes, o que estimula a evasão escolar e perpetua a qualidade insuficiente do ensino.
EDUCAÇÃO ESTAGNADA
Para Velasco, o diagnóstico do estudo reforça uma conclusão já tirada de outros levantamentos oficiais: que a educação brasileira nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio está estagnada.
A solução dos problemas não é única nem simples passa por melhorias na formação de professores, muitas vezes pouco preparados para os desafios da sala de aula, por medidas para corrigir a defasagem de aprendizado dos alunos e por reestruturações curriculares, é o que acredita a coordenadora do TPE.
Fontehttp://www.cearaagora.com.br/site/2015/02/alunos-brasileiros-chegam-ao-ensino-medio-sem-saber-o-que-deveriam/

Professores mostram o que pode ser feito para melhorar a educação

Série do JN mostra reportagens sobre a situação dos professores no Brasil: as dificuldades, os desafios, os avanços do ensino no país.






Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Estágio em sala de aula é fundamental para quem quer ser professor

Diretor de escola reclama da qualidade dos cursos oferecidos aos professores. Nem todos são bons. Muitos por falhas da pessoa que dá o curso.






Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Professores têm o desafio de tornar aulas mais atraentes para os alunos

Série sobre professores mostra que para ensinar não basta dominar o assunto. É preciso encontrar a melhor forma de transmitir o conhecimento.



Alunos enfrentam falta de preparo de professores em sala de aula

Segunda reportagem da série especial mostra que falha na formação acadêmica dos professores é um dos principais problemas nas escolas.




Reportagem completa

Equipe Notícias sobre Educação no Brasil

Prepare-se!